29 de dezembro de 2007

2008...

Por estes dias escreve-se pouco nos blogues. Neste blogue. Só me ocorrem coisas um bocadinho patéticas sobre a triste realidade nacional. O que não vale mesmo a pena.
Por isso, a menos que me lembre de alguma coisa realmente positiva, aproveito para desejar aos amigos, leitores e visitantes do blogue, um bom ano. Cheio de coragem. E se houver ainda mais coragem, de abertura aos outros e de dávida.

24 de dezembro de 2007

MERRY CHRISTMAS BIG BROTHER

Numa altura em que os jornalistas andam histéricos porque a partir do início do ano a lei os vai proibir de poluir os restaurante a bel-prazer, nenhum deles estranha uma outra alteração de consequências imprevisíveis. A partir de 1 de Janeiro as companhias de telecomunicações vão guardar e pôr à disposição de quem as souber recolher, as informações sobre as nossas comunicações e navegação pela internet. Num país dominado pela pequena corrupção de polícias, funcionários de tribunal e "serviços de informação" a soldo dos governos, não parece chatear ninguém que esta gente toda possa vasculhar no mais ínfimo dos nossos movimentos. A coberto da terrível necessidade de nos salvar de terroristas e de criminosos de toda a espécie, vai ser possível saber tudo: com quem falámos, durante quanto tempo, se visitámos o site dos amigos do Zoológico ou o Bigbreasts.com. Tudo. Claro que a lei "protege" o cidadão, baseado sobretudo na ideia que "quem não deve, não teme". Mas quando sabemos que milhares de pessoas já estão debaixo de escuta sem qualquer ordem judicial, que aqueles que recebem um salário para nos proteger ganham a vida a vender aos jornais as conversas das estrelitas do jet-set; os mesmos que fazem manifestações com cartazes com a figura do primeiro-ministro e a frase "Filho da Puta Mentiroso", teme-se o pior. O problema nunca é a bondade de uma lei, mas sim o uso que milhares de parasitas aguardam para lhe dar.
Isso, jornalistas, chateiem-se com o fim da tabacaria, quando os mais conhecidos de entre vocês virem os nomes escarrapachados nas publicações da concorrência debaixo de insinuações iníquas, vão perceber do que estou a falar.
Mas que digo eu? Algum deles lê isto? Não, está tudo a ler as publicações norte-americanas, a cena "trend", a meditar sobre a última atoarda de Santana Lopes, o-do-cabelo-lambido-por-um-cão.
Abrir os olhos para quê, quando se está tão habituado a correr à volta da cauda?

20 de dezembro de 2007

MAIS UM PINHEIRO

Para alguns ainda será cedo, mas para quem decorou hoje a árvore, é tempo de desejar a todos os amigos que por aqui passam, um Bom Natal.

14 de dezembro de 2007


FOI UM TRATADO!
(Como diria o meu pai quando quer ser sarcástico) Ia eu a entrar para o Metro, ou melhor, a tirar o bilhetinho de 75 cts, quando um senhor me murmurou qualquer coisa que não percebi. Paguei, a máquina larga o papelinho, mas antes que eu pudesse cometer um acto irreparável, um emigrante africano segura-me no braço, com ar feliz, e elucida-me: "Hoje é tudo de graça!" E era.Para comemorar o almoço no museu dos coches, a empresa pública abriu as portas "aos estimados clientes".
Vá lá que este mês não tinha comprado passe.

13 de dezembro de 2007

A CANETA DE PRATA

Os jornais televisivos destacam todos o essencial: o Tratado de Lisboa vai ser assinado com caneta de prata.
Parece que os nórdicos não estavam de acordo nem com a ideia de se usar uma de madeira exótica da Amazónia, nem com uma em plástico produzida na China por criancinhas a cantar o Hino à Alegria.
Teve mesmo de se usar uma de prata extraída por trabalhadores miseráveis em lugar indetectável da América do Sul.

10 de dezembro de 2007

O DISCURSO DE DORIS LESSING

Li no Le Monde, o discurso da Nobel da Literatura deste ano, Doris Lessing. Ao contrário de outros que nos encheram os ouvidos sobre a surpresa de ter chegado tão alto quando a vida parecia tê-los condenado em pequeninos à miséria, esta escritora mostrou-nos através de um texto comovedor como os anos a fizeram aproximar dos mais silenciosos. Dos que menos podem. E, sobretudo, da compreensão serena do mundo.
Alerta-nos para os perigos da iliteracia, mas também para a esperança naqueles que menos prezamos, e que passam fome na Índia ou no Zimbábue."Não sabemos como esta revolução (a Internet, os livros que não são lidos na sociedade excedentária em que vivemos) vai terminar.
A mim comove-me este murmúrio suave e poderoso. No meio do ruído que tantos tomam como sucesso.
Aqui, o discurso na íntegra e em versão original.


9 de dezembro de 2007

PERE LACHAISE

Por contingências de hotel e de um jantar com uma conhecida, lá fui visitar o túmulo do Jim Morrison, pejado de flores e garrafas de JB. De caminho avistei o do Oscar Wilde, coberto de grafites apaixonados ou da gratidão de muitos.
Mas o que me impressionou mais foi o silêncio e o esquecimento diante dos túmulos de banqueiros e escritores da Academie. Toda a vangloria que os perfumou em vida tinha desaparecido. Eram apenas pedras, cobertas de micro-organismos. Nada para quem passava como eu.

8 de dezembro de 2007

HOJE

...chovia e fazia um frio bestial em Paris.
Mas continuo a pensar que não me importaria de viver aqui.
Coisas...

6 de dezembro de 2007

WELCOME TO LISBON

Começa a chegar hoje, a longa lista de ditadores africanos. A maioria acompanhada por séquitos de seguranças, mulheres, amantes, e luxeiras várias. Para trás deixam a fome, a tortura, a violação dos direitos humanos e a consciência da sua incapacidade ou falta de vontade para arrancar os seus cidadãos da pobreza.
Portugal recebe-os engalanado, até arma tendas a alguns, habituados ao deserto, no chão de pedra dos fortes quinhentistas.
É a diplomacia global a aterrar no torrãozinho portuga.

5 de dezembro de 2007

ÁFRICA EM PORTUGUÊS

Em Moçambique, as campanhas dos telemóveis agitam-se. Este spot, que nasce de uma outra música, teve direito a sequelas e a contra-ataques da concorrência.
Vamos lá ver, afinal, quem é Patrão!

O LEVANTAR DO CHÃO

Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.

3 de dezembro de 2007

O VERDADEIRO VENCEDOR DO FESTIVAL MICROFILMES

A popularidade tem destas coisas. Apesar de não ganhar nada, este foi o filme mais comentado do festival organizado pelas PF, este fim-de-semana:


O ESPAÇO DE CRIAÇÃO

Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...

ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.

1 de dezembro de 2007

VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS

A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.

Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.