29 de dezembro de 2007

2008...

Por estes dias escreve-se pouco nos blogues. Neste blogue. Só me ocorrem coisas um bocadinho patéticas sobre a triste realidade nacional. O que não vale mesmo a pena.
Por isso, a menos que me lembre de alguma coisa realmente positiva, aproveito para desejar aos amigos, leitores e visitantes do blogue, um bom ano. Cheio de coragem. E se houver ainda mais coragem, de abertura aos outros e de dávida.

20 de dezembro de 2007

MAIS UM PINHEIRO

Para alguns ainda será cedo, mas para quem decorou hoje a árvore, é tempo de desejar a todos os amigos que por aqui passam, um Bom Natal.

14 de dezembro de 2007


FOI UM TRATADO!
(Como diria o meu pai quando quer ser sarcástico) Ia eu a entrar para o Metro, ou melhor, a tirar o bilhetinho de 75 cts, quando um senhor me murmurou qualquer coisa que não percebi. Paguei, a máquina larga o papelinho, mas antes que eu pudesse cometer um acto irreparável, um emigrante africano segura-me no braço, com ar feliz, e elucida-me: "Hoje é tudo de graça!" E era.Para comemorar o almoço no museu dos coches, a empresa pública abriu as portas "aos estimados clientes".
Vá lá que este mês não tinha comprado passe.

13 de dezembro de 2007

A CANETA DE PRATA

Os jornais televisivos destacam todos o essencial: o Tratado de Lisboa vai ser assinado com caneta de prata.
Parece que os nórdicos não estavam de acordo nem com a ideia de se usar uma de madeira exótica da Amazónia, nem com uma em plástico produzida na China por criancinhas a cantar o Hino à Alegria.
Teve mesmo de se usar uma de prata extraída por trabalhadores miseráveis em lugar indetectável da América do Sul.

10 de dezembro de 2007

O DISCURSO DE DORIS LESSING

Li no Le Monde, o discurso da Nobel da Literatura deste ano, Doris Lessing. Ao contrário de outros que nos encheram os ouvidos sobre a surpresa de ter chegado tão alto quando a vida parecia tê-los condenado em pequeninos à miséria, esta escritora mostrou-nos através de um texto comovedor como os anos a fizeram aproximar dos mais silenciosos. Dos que menos podem. E, sobretudo, da compreensão serena do mundo.
Alerta-nos para os perigos da iliteracia, mas também para a esperança naqueles que menos prezamos, e que passam fome na Índia ou no Zimbábue."Não sabemos como esta revolução (a Internet, os livros que não são lidos na sociedade excedentária em que vivemos) vai terminar.
A mim comove-me este murmúrio suave e poderoso. No meio do ruído que tantos tomam como sucesso.
Aqui, o discurso na íntegra e em versão original.


9 de dezembro de 2007

PERE LACHAISE

Por contingências de hotel e de um jantar com uma conhecida, lá fui visitar o túmulo do Jim Morrison, pejado de flores e garrafas de JB. De caminho avistei o do Oscar Wilde, coberto de grafites apaixonados ou da gratidão de muitos.
Mas o que me impressionou mais foi o silêncio e o esquecimento diante dos túmulos de banqueiros e escritores da Academie. Toda a vangloria que os perfumou em vida tinha desaparecido. Eram apenas pedras, cobertas de micro-organismos. Nada para quem passava como eu.

8 de dezembro de 2007

HOJE

...chovia e fazia um frio bestial em Paris.
Mas continuo a pensar que não me importaria de viver aqui.
Coisas...

6 de dezembro de 2007

WELCOME TO LISBON

Começa a chegar hoje, a longa lista de ditadores africanos. A maioria acompanhada por séquitos de seguranças, mulheres, amantes, e luxeiras várias. Para trás deixam a fome, a tortura, a violação dos direitos humanos e a consciência da sua incapacidade ou falta de vontade para arrancar os seus cidadãos da pobreza.
Portugal recebe-os engalanado, até arma tendas a alguns, habituados ao deserto, no chão de pedra dos fortes quinhentistas.
É a diplomacia global a aterrar no torrãozinho portuga.

5 de dezembro de 2007

ÁFRICA EM PORTUGUÊS

Em Moçambique, as campanhas dos telemóveis agitam-se. Este spot, que nasce de uma outra música, teve direito a sequelas e a contra-ataques da concorrência.
Vamos lá ver, afinal, quem é Patrão!

O LEVANTAR DO CHÃO

Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.

3 de dezembro de 2007

O VERDADEIRO VENCEDOR DO FESTIVAL MICROFILMES

A popularidade tem destas coisas. Apesar de não ganhar nada, este foi o filme mais comentado do festival organizado pelas PF, este fim-de-semana:


O ESPAÇO DE CRIAÇÃO

Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...

ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.

1 de dezembro de 2007

VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS

A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.

Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.